… um abraço na noite fria!

Numa destas noites frias de inverno, na cidade de Porto Alegre, numa esquina sombria de um bairro boêmio eu caminhava. Queria estar sozinha, precisava da ausência. Sem vozes, sem cantarolas, sem amigas, sem ninguém. Eu, a noite, o frio e as ruas vazias. Um casaco preto e alguns botões dialogavam comigo, o vento inquieto daquela noite  solitária também.

Numa esquina, fui surprendida por uma criança que vinha ao meu encontro  de blusinha de malha, sem fraldas e descalça naquela noite tão fria. Vinha correndo e sorria de braços abertos como quem pedisse colo. Peguei a menina no colo e a abracei como quem abraça a vida. Por frações de segundos tudo fazia sentido: o silêncio, o frio, a solidão e o abraço. Encantei-me com a vida novamente e desejei levar aquela menina para casa, vesti-la de branquinho e ir correndo de Porto Alegre para Niterói como quem brinca de pique-esconde. Mas ao levantar os olhos a mãe da menina estava atrás com as fraldas e um casaquinho na mão. Era uma mãe moradora de rua com seus oito filhos dormindo numa esquina da fria Porto Alegre.

Ainda com a menina no colo puxei conversa com a mãe e me aproximei do “ninho” que a mãe havia feito para a pernoite das crianças. Alguns cobertores, jornais, colchonetes e umas vasilhas de sopa que haviam sido distribuídas por religiosos.

A mãe pegou a menina do meu colo e aninhou-a num pedacinho do colchonete. Perguntei o nome da criança: Lara! Tirei uma das muitas blusas que vestia embaixo do casaco e deixei com Lara.

Doce Lara! Ao amanhecer busquei a família pelas ruas de Porto Alegre e nada encontrei. Buscava ofercer algo, alguma coisa qualquer. Mas mal sabia eu que fora Lara que me ofereceu lampejos de vida naquelo abraço  intenso.

E a vida voltou a fazer sentido…

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…afinal, o que querem as mulheres de 40?

Há algum tempo tenho observado que as mulheres que conheço ficam mais felizes depois que partem dos 30 – por 30 entenda-se 31, 32, 33… e por quarenta 41, 42, 43…

Complementando esta observação ouço diariamente, em meu ofício de ouvidora de histórias (psicóloga), os mesmos temas que se referem às mulheres na faixa dos 30 anos, um coral polifônico e poderoso invade a vida das minhas doces e queridas clientes: “já casou?”; “não vai ter filhos?”; “seus óvulos estão envelhecendo”(diz o ginecologista); “tá gordinha, hein…assim ninguém vai te querer!”; “ tá separada a quanto tempo? Está na hora de reconstruir sua vida!”; “ e os amores?”.

Na balada (ou noitada) minhas doces meninas sofrem, pois ou se submetem a uma caça aos homens ou ficam quietas assistindo ao duelo das amigas(sim, se vc é mulher e já ficou solteira, sabe do que falo!). E quando voltam para casa sozinhas, a sensação foi que a noite não valeu. Pois é nisso que elas naufragam. A noite valeu sim! A vida é muito, muito, muito mais que isso! Mais como? Ah…não há receita, ora bolas, invente a sua – viver é pura alquimia(processo criativo!).

Cá ao pé do ouvido, ligue o “dane-se”! È bem verdade que custei muito a ligar o meu, precisei estudar temas relativos ao feminino, fazer análise, e sobretudo viver muito para me libertar do desejo dos outros em minha vida. Quando digo desejo dos outros não me refiro a esta ou aquela pessoa específica, mas sim a um “script” já devidamente construído com uma listagem já pré-feita do que deve fazer e do que não deve fazer uma mulher feliz. São vozes(algumas mais moderninhas, outras mais antiguinhas), muitas vozes que invadem a vida da doce mulher durante os 30 anos. Afinal, no mundo contemporâneo, esta faixa tem sido destinada a tanta coisa : se resolver profissionalmente; encontrar o “Homem” da sua vida (sim,este amor idealizado ainda é uma cobrança!); casar; engravidar mas não engordar; malhar depois de 8 horas de trabalho pesado no escritório (sem contar que Joãozinho tossiu a noite inteira); ter dois filhos(porque quando se tem um só é mais uma cobrança!),ufa…tanta coisa em só 10 anos! Minhas doces meninas de 30 anos não param de ouvir vozes…

Mas o que elas não fazem idéia é que as vozes cessam ao cruzar a linha dos quarenta. E nisto posso falar da minha experiência. Ninguém mais espera nada de vc! Ufa! Aí que tá a delícia: o anonimato!

Sem vozes, dá para caminhar na praia(sozinha ou acompanhada) numa noite de lua cheia, respirar bem fundo, agradecer a Deus e sentir (lá do fundo do coração!) uma suprema felicidade(parafraseando o Jabour). Aprenda a se deixar em paz (agora parafraseando a Martha Medeiros!).

Retomando a pergunta inicial: afinal, o que querem as mulheres de 40? Minha resposta: nunca mais ter 30 anos. E vc, o que quer?

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… ficando velha!

Pois então, dia 25 de janeiro se aproxima, sim… ficarei mais velha. E antes que tentem me consolar, ficar mais velha é ficar melhor! Ficar mais velha é continuar acreditando em valores modernos tais como: liberdade, igualdade e fraternidade – lembrando que estamos em plena pós-modernidade marcada pelo hibridismo das relações(que pode ser ago bom!) mas também pelos amores líquidos(que acredito ser mal!); ficar mais velha é assumir que acredita em bem e mal (Nietzsche que me perdoe!); ficar mais velha é ainda militar pelos direitos humanos num tempo em que a noção de humano é tão diluída; ficar mais velha é ainda acreditar num mundo melhor; ficar mais velha é guardar aquela estrelinha do PT dos anos 80 e chorar ao ver o filme do Che Guevara(Diários de Motocicleta); ficar mais velha é ter saudade (Walter Benjamim nos disse que a memória é a mais épica das faculdades mentais); ficar mais velha é ter velhos(as) amigos(as) ; ficar mais velha é  já ter chorado muito com a morte de alguém (é na morte que compreendemos o sentido da vida!); ficar mais velha é ficar mais livre. E no ítem liberdade incluo um bocado de coisa, dentre eles o sentimento de que a vida valeu a pena e sobretudo a certeza de que o mais importante neste mundo não é tangível: amores (vividos, sofridos, sorridos); saudades (doces, amargas, serenas); amizades (de todas as formas e de todas as gentes); fé, muita fé em Deus (que tb não é tangível!). Quão doce é a intangibilidade  da alegria de viver, da paz  de espírito, da certeza que o melhor da vida ainda está por vir!

Ficar mais velha é ter a liberdade de confessar em público que tudo que sei é que nada sei (nadica!) – ora pois, nunca se sabe nada!Afora isso, é tudo vaidade!

Eita mundão grande!Eita vida boa de ser vivida – chorando ou sorrindo – amo a vida e acredito nela!

*Fiquei um tempão sem postar nada porque estava de luto(muito triste)  pela morte de uma grande e querida amiga.

** E por ainda ser janeiro: feliz 2011 para todos!

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…borboletas e risos!

… e porque há luas: novas, crescentes e cheias!

… e porque o mundo é grande e a é vida larga!

… porque tenho o mundo a meu favor!

…então suspiro!

“Lírios brancos combinam com meu bem/borboletas e risos/lua-cheia também!”

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…porque é preciso falar!

Em primeiro lugar, estava com saudade deste espaço. A vida estava por demais ocupada, entretanto a inquietude produzida em função  dos momentos eleitorais me trouxeram até aqui.

Alguns temas norteiam este segundo turno.

1. Temática religiosa (Apesar da laicização do Estado este ainda é um tema).

2. Como desdobramento do primeiro item, a questão do aborto.

Sobre o item 1:

Sim, o Estado é laico! Triste ver alguns cristãos misturando política partidária ao mundo espirtual. Isso para mim tem cheiro da união Igreja/Estado; cheiro da  “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. E  tudo mais que fazem parte das páginas mais tristes da história da humanidade e/ou da história do Brasil. 

Marina tão bem nos representou nesta eleição: mostrando-se reflexiva, inteligente e sem utilizar a religiosidade como forma de aquisição de votos. Façamos o mesmo: pensemos!

Lembrem-se que Deus é manso e humilde e nosso maior dever (dever bíblico!) é amar ao próximo como a nós mesmos. Ainda que este próximo não seja da sua igreja;  ainda que o próximo não seja da sua faixa etária, ainda que o próximo não seja da sua cor, ainda que o próximo esteja bem longe de vc, morando numa periferia ou num povoado ribeirinho no norte do país. Desejar, pleitear pelo bem estar destes é sim,um dever  cristão!

Sobre item2:

Um dia antes da eleição fui comprar roupinhas para o bebê da minha queridíssima Luna(sobrinha que ganhei de presente de Deus!). Percorrendo uma das lojas de roupinhas infantis de Niterói, uma senhora deu início ao assunto sobre aborto. Eu me posicionei:sou contra! Ela disse: ah, então vc não vai votar na Dilma? Não respondi… Mas faço outras perguntas: até quando vamos ser hipócritas quanto a este assunto? Até quando não vamos conseguir ouvir corretamente o que se diz. Basta que alguém fale a palavra aborto  que as pessoas só conseguem escutar : sim ou não! Mesmo quando a resposta é “não” há muitos atravesamentos no que tange à saúde pública.

Se Deus nos deu a capacidade de reflexão, usemos!

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…tempo!

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar.Tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria.Tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. (Eclesiastes 3; 1-8)

Eu que não sou de “djavanear”, gostei muito deste novo cd- ele canta músicas de outros compositores. Intimista, sensual… Amei!

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…solidariedade!

Depois de todo falatório acerca deste vídeo, assisti hoje a entrevista que Marília Gabriela fez com Vanusa. Confesso que fiquei assustada com o estado psicológico da Vanusa. Sim, ela está com um problema de memória que deve ser conseqüência de um bocado de coisa: utilização indevida de remédios, questões pessoais e, sobretudo, excesso de autoconfiança.

Chorei com o que vi, fiquei triste… Logo ela que cantava a mulher das mudanças, evocava o lado forte do feminino. Era tudo mentira, pois se verdade fosse não teria chegado ao estado que chegou.

Doce Vanusa. Hoje aprendi, após esta entrevista, que bom é chorar muito (sempre que for necessário); nunca arrumar os armários; não precisar de grandes bandeiras e nem grandes alardes. O forte é quem vive delicadamente as pequenas coisas. Ou melhor, ninguém é forte, esta nossa condição humana nos coloca sempre frente a frente com o incompleto, com o finito, com um amargo sentimento de vazio e abandono. Pessimista eu? Não, nada disso, muito pelo contrário! È no vazio, caminhando em direção ao nada que me encho de um bocado de coisa: de Deus, dos encantamentos da vida, das manhãs e das noites. Porque quando sou fraca é que sou forte!

*Quando adolescente, adorava uma música da Vanusa que dizia: “…hoje eu vou mudar, vou arrumar minhas gavetas(…)jogar fora sentimentos e ressentimentos tolos. Parar de sofrer por coisas tão pequeninas. Deixar deixar de ser menina pra ser mulher”. 

** Depois de ver a entrevista, fui buscar o vídeo, na íntegra, no youtube e dei boas gargalhadas, em especial, com o Madruga no final do vídeo!..rs..rs..rs..rs.

*** Retorno, hoje, ao blog!

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